Gerir faltas dos colaboradores é um dos grandes desafios dos Recursos Humanos. Saber distinguir entre faltas justificadas e faltas injustificadas, bem como garantir o seu registo correto, é essencial para cumprir a legislação laboral portuguesa. Além disso, é uma prática fundamental para manter a equidade interna e evitar potenciais problemas legais ou administrativos.
Neste artigo, explicamos de forma clara as principais diferenças, apresentamos exemplos práticos e mostramos como registar corretamente cada tipo de falta, de acordo com o Código do Trabalho.
O que são faltas justificadas?
Segundo o artigo 249.º do Código do Trabalho, as faltas justificadas são aquelas em que existe um motivo legalmente aceite para a ausência do trabalhador. Em outras palavras, tratam-se de situações em que há uma razão reconhecida e válida que impede o colaborador de comparecer ao trabalho. Estes motivos podem ser de natureza pessoal, familiar, médica ou profissional.
Exemplos de faltas justificadas:
- Doença (com apresentação de declaração médica)
- Falecimento de familiar (licença por falecimento)
- Casamento (licença de casamento)
- Exercício de funções em organizações sindicais ou comissões de trabalhadores
- Cumprimento de obrigações legais (ex. comparecer em tribunal)
- Assistência a filhos ou dependentes
💡 Nota: As faltas justificadas podem ou não ser remuneradas, dependendo da situação específica. Por exemplo, a ausência por falecimento é remunerada; contudo, uma doença prolongada pode implicar corte salarial, de acordo com os apoios atribuídos pela Segurança Social. Assim, é sempre importante analisar o caso individualmente.
O que são faltas injustificadas?
As faltas injustificadas ocorrem quando o colaborador não comparece ao trabalho sem apresentar um motivo válido ou sem informar atempadamente a entidade empregadora. Em suma, tratam-se de ausências que não se enquadram nas situações legalmente previstas.
Exemplos de faltas injustificadas:
- Não comparecer ao trabalho sem aviso prévio
- Apresentação de justificação fora do prazo legal (normalmente 5 dias)
- Falta por motivo não reconhecido pela lei
Consequentemente, as faltas injustificadas podem originar sanções disciplinares e resultam, na maioria dos casos, em perda da remuneração correspondente ao período de ausência. Por outro lado, um número elevado de faltas injustificadas pode influenciar negativamente a avaliação de desempenho e comprometer a confiança da entidade empregadora.

Como registar corretamente as faltas?
Para garantir a conformidade com o Código do Trabalho e assegurar uma gestão eficaz da assiduidade, é essencial que o registo de faltas justificadas e injustificadas siga critérios claros, consistentes e documentados. Assim, um processo bem estruturado evita ambiguidades, protege a empresa em caso de auditorias ou conflitos laborais e promove um ambiente de confiança e responsabilidade.
A seguir, apresentamos os passos essenciais para um registo eficaz:
1. Registo em tempo real (ou o mais cedo possível)
O ideal é que as faltas sejam registadas no próprio dia da ocorrência ou logo que a empresa tenha conhecimento da ausência. Dessa forma, é possível atualizar imediatamente os mapas de assiduidade e evitar esquecimentos ou omissões. Além disso, plataformas digitais de assiduidade, como o InnuxTime HR, permitem que os responsáveis de RH, chefias ou até mesmo os próprios colaboradores (com permissões adequadas) comuniquem e registem faltas de forma rápida e segura.
2. Classificação correta da falta
É fundamental identificar se a falta é justificada ou injustificada com base nos critérios legais (art. 249.º do Código do Trabalho). Caso contrário, uma má classificação pode ter implicações diretas na remuneração, no processamento salarial e até em processos disciplinares. Por conseguinte, sempre que necessário, os departamentos de RH devem solicitar documentação adicional antes de validar o tipo de falta.
3. Documentação de suporte obrigatória
As faltas justificadas devem ser sempre acompanhadas de prova válida. Entre os exemplos mais comuns encontram-se:
- Declaração médica (em caso de doença)
- Certidão de óbito (em caso de falecimento de familiar)
- Comunicação judicial (em caso de comparência em tribunal)
- Comunicação por escrito do colaborador (para ausências autorizadas)
Além disso, toda essa documentação deve ser arquivada e associada ao registo da falta — de forma digital ou física — respeitando o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD). Assim, garante-se transparência, conformidade e rastreabilidade em auditorias futuras.
4. Armazenamento seguro e acessível
O registo de faltas deve ser guardado num sistema que seja:
- Seguro (com backups, encriptação e controlo de acessos)
- Auditável (com histórico de alterações e registos de utilizadores)
- Acessível (para RH, direção e, quando apropriado, para o colaborador)
Além disso, plataformas de gestão de assiduidade em cloud ou locais com módulos de RH asseguram esta organização e facilitam a geração de relatórios para a ACT, auditorias internas e decisões de gestão. Consequentemente, o processo torna-se mais transparente e menos sujeito a erro humano.
5. Integração com processamento salarial e relatórios
O registo correto das faltas deve alimentar automaticamente os sistemas de processamento salarial e os mapas mensais de assiduidade. Dessa forma, evitam-se erros em folhas de pagamento, assegura-se conformidade fiscal e simplifica-se o trabalho da equipa de RH. Em suma, uma gestão integrada promove eficiência e reduz o risco de falhas administrativas.
Um bom registo de faltas não é apenas uma tarefa administrativa — é um elemento estratégico para manter a organização em conformidade legal, promover a equidade entre colaboradores e apoiar uma gestão moderna e eficiente de recursos humanos.
Dica profissional: Use um software de gestão de assiduidade como o InnuxTime HR
Gerir manualmente faltas, atrasos e justificações é um processo moroso e suscetível a erros. Por isso, num contexto em que o cumprimento da legislação laboral e a eficiência operacional são cruciais, adotar um software especializado representa uma mais-valia estratégica significativa.
O InnuxTime HR, desenvolvido pela Innux Technologies, é uma solução completa de gestão de assiduidade e tempos de trabalho, adaptada às necessidades legais e práticas das empresas portuguesas. Este sistema automatiza e centraliza todo o processo de registo, oferecendo funcionalidades que otimizam a operação dos departamentos de Recursos Humanos.
Com o InnuxTime HR, a sua empresa pode:
Registar automaticamente faltas e atrasos
Com as integrações com relógios de ponto, aplicações móveis e portais de colaborador, o sistema regista entradas e saídas em tempo real, permitindo identificar ausências e atrasos com precisão.
Anexar documentos justificativos diretamente no sistema
Declarações médicas, comunicações escritas e outros comprovativos podem ser digitalizados e associados à falta com um clique. Assim, garante-se organização, rastreabilidade e conformidade com o RGPD.
Gerar automaticamente mapas de assiduidade
O software compila relatórios detalhados por colaborador, departamento ou período, poupando tempo nas análises mensais e facilitando a gestão global de presença.
Cumprir as exigências legais em caso de auditorias da ACT
O sistema mantém um histórico fiável e auditável de toda a atividade de assiduidade, pronto a ser apresentado à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), protegendo a empresa contra coimas e irregularidades.
Quais as consequências de um mau registo de faltas?
Subestimar a importância do registo correto de faltas pode ter custos elevados — tanto em termos legais como na dinâmica interna da empresa. De facto, um processo mal estruturado ou dependente de folhas de cálculo e comunicação informal expõe a organização a riscos operacionais, jurídicos e reputacionais.
A seguir, apresentamos as principais consequências:
1.Multas da ACT por incumprimento legal
O Código do Trabalho determina que todas as empresas devem registar horários de trabalho, presenças e faltas de forma fidedigna e acessível. Assim, em caso de inspeção, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) pode aplicar coimas significativas se detetar:
- Ausência de registo de assiduidade
- Falta de documentação justificativa
- Erros ou omissões no mapeamento de horários
- Não cumprimento do dever de conservação dos registos
2. Desmotivação dos colaboradores por perceção de injustiça
Registos incorretos ou incoerentes podem gerar sensação de favoritismo ou injustiça entre os colaboradores. Além disso, faltas mal classificadas podem levar a descontos salariais indevidos, enquanto horas extra não registadas criam frustração e desgaste. Por conseguinte, o tratamento desigual em relação a justificações quebra a confiança e prejudica o clima organizacional.
3. Problemas legais em despedimentos, conflitos ou processos disciplinares
Se um colaborador contestar um despedimento ou medida disciplinar e a empresa não tiver registos claros e documentados das faltas, perde força jurídica na defesa. Além disso, a ausência de provas documentais dificulta a argumentação e pode resultar na reintegração do trabalhador ou em indemnizações onerosas. Em suma, a falta de rigor documental fragiliza a posição da entidade empregadora.
4. Insegurança fiscal e problemas no processamento salarial
Erros no registo de assiduidade podem originar:
- Processamento incorreto de salários
- Descontos indevidos
- Falta de atualização de dados para Segurança Social
- Problemas na emissão de recibos e ficheiros SAFT-PT
Consequentemente, além dos impactos operacionais, a empresa arrisca inconformidades fiscais e reputacionais.
Conclusão
Saber distinguir entre faltas justificadas e injustificadas e garantir o seu registo correto não é apenas uma questão de organização — é, acima de tudo, uma obrigação legal e um instrumento estratégico de gestão de pessoas.
Ao implementar boas práticas de registo e investir em tecnologia de apoio, a sua empresa protege-se juridicamente, assegura transparência e promove uma cultura de responsabilidade e confiança. Dessa forma, a gestão de assiduidade deixa de ser um processo burocrático e passa a ser uma ferramenta essencial para a eficiência, conformidade e credibilidade organizacional.